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VALDEMIR CINTRA LEVA O PROJETO POESIA NAS ESCOLAS A SÃO BENTO DO UNA

O Projeto Poesia nas Escolas, terá sua edição, no Colégio de Referência José do Patrocínio Mota, na cidade de São Bento do Una, nesta sexta feira, dia 18 de maio... Mais informações »

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ESTUPRADOR DE BELO JARDIM É IDENTIFICADO E CONSIDERADO FORAGIDO PELA POLÍCIA

A Polícia Civil de Belo Jardim, no Agreste de Pernambuco, divulgou a identidade do suspeito de estuprar duas jovens dentro do banheiro de um bar no município... Mais informações »

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EX-DIRETOR DE OBRAS ENVIA TEXTO CITANDO E COBRANDO RESPOSTAS DE HÉLIO DOS TERRENOS SOBRE AS OBRAS PARADAS EM BELO JARDIM

O ex-diretor de Obras da prefeitura de Belo Jardim, Ubirajara Carvalho (Bira), enviou para o blog, uma carta dirigida ao prefeito, Hélio dos Terrenos, onde cita... Mais informações »

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MUNICÍPIO DE BELO JARDIM PAGARÁ MULTA QUASE MILIONÁRIA EM RAZÃO DA INCOMPETÊNCIA DO PREFEITO HÉLIO DOS TERRENOS

Belo Jardim está desgovernado. A prefeitura de Belo Jardim deixará de investir até meio milhão de reais do dinheiro de nossos impostos, que seriam destinados...... Mais informações »

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JOÃO MENDONÇA FALA SOBRE O BOATO DE QUE ELE IRIA SE UNIR A HÉLIO DOS TERRENOS, LEIA

Diante dos últimos acontecimentos com o rompimento da aliança Cintra Galvão/Hélio dos Terrenos, e as demissões dos indicados pelo grupo Galvão... Mais informações »

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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Foto: Anaclarice Almeida/DP/D.A Press

Após mais de vinte horas de julgamento, Jorge Beltrão, Isabel Pires e Bruna Silva foram condenados pela morte, esquartejamento, ocultação de cadáver e prática de canibalismo contra a adolescente Jéssica Camila, de 17 anos. A filha da vítima, que estava em poder dos trio, na época com dois anos, também teria comido a carne humana. O crime aconteceu em 2008, em Olinda, e os envolvidos alegaram participar de uma seita denominada "Cartel". Para eles, a morte brutal da vítima era uma forma de purificação.

O corpo de jurados, composto por quatro mulheres e três homens, considerou os três culpados pela prática de homicídio quadruplamente qualificado, ocultação de cadáver e vilipêndio. A sentença foi dada pela juíza Maria Segunda Gomes de Lima. Bruna Silva e Isabel Pires foram condenadas a 19 anos de reclusão, um ano de detenção e 120 dias de multas. Jorge Beltrão terá que cumprir 21 anos e seis meses de reclusão, mais um ano e seis meses de detenção e 320 dias de multa. A defesa dos três adiantou que vai recorrer. As mulheres já estão presas na Colônia Penal Feminina de Buíque e o acusado está no Complexo Prisional do Curado.

"O Jorge deverá cumprir 20 anos de reclusão por conta do homicídio, mais um ano e seis meses de reclusão por ocultação de cadáver e mais um ano e seis meses de detenção por vilipêndio. Elas terão que cumprir 19 anos de reclusão do homicídio e da ocultação de cadáver e mais um ano de detenção por conta do vilipêndio", detalhou a magistrada Maria Segunda Gomes. A pena da reclusão só pode ser cumprida em regime fechado, diferente da detenção, que pode ser em regime semiaberto. 

Pela primeira vez, desde a fase de inquérito, os acusados conhecidos como 'Canibais de Garanhuns' quebraram o silêncio e se pronunciaram sobre os crimes. O professor de educação física Jorge Beltrão, apontado como líder, confessou ter matado a vítima. As outras acusadas admitiram auxiliar na ocultação do cadáver. E os três negaram ter fabricado salgados com carne humana.

O julgamento dos acusados durou dois dias. A princípio, foram ouvidos os depoimentos das testemunhas, o delegado Paulo Berenguer, responsável pela investigação, e o psiquiatra Lamartine Holanda. Em seguida, Jorge Beltrão, Isabel Pires e Bruna Silva falaram. Nesta sexta, foi aberta a fase de debates. Por último, o corpo de jurados se reuniu em uma sala reservada para responder o questionário sobre o caso e definir o veredito.

O julgamento - Testemunhas

A primeira testemunha a depor, na manhã desta quinta-feira, foi o psiquiatra Lamartine de Holanda. O especialista foi enfático ao dizer que Jorge Beltrão não sofre de transtorno psíquico. "A esquizofrenia é uma forma de rotular algo que não existe. Mesmo assim, das várias formas de se interpretar essa 'doença', nenhuma se aplica ao caso", declarou. A testemunha de acusação trabalhou como perito no caso. O laudo psiquiátrico, solicitado pela defesa, revelou que "os três são independentes e mentalmente sãos".

Em seguida, o delegado Paulo Berenguer, responsável pelo inquérito policial, prestou depoimento. De acordo com o investigador, os três confessaram o crime e cada um tinha uma responsabilidade na ação. "Isabel, por exemplo, cooptou Jéssica. Eles também admitiram o canibalismo. A carne era temperada normalmente pelas acusadas e servida junto com o resto da comida. A idéia era comer a carne purificada da vítima para que a purificação atingisse a todos", acrescentou. Segundo Berenger, Paloma, de Lagoa do Ouro, Maria, de Garanhuns, e Yolanda, de Olinda, seriam as próximas vitimas. "Eles ofereciam empregos de doméstica pagando um valor maior que o do mercado e atraíam as mulheres", esclareceu o delegado.

O julgamento - Acusados

Jorge Beltrão Negro Monte da Silveira

O primeiro acusado a prestar depoimento foi Jorge Beltrão, apontado como mentor dos crimes. Ele contou - de olhos fechados - os detalhes do esquartejamento, mas negou que a carne humana tivesse sido usada na produção de salgados vendidos em Garanhuns, no Agreste. Além disso, o réu alegou nunca ter sido consultado pelo psiquiatra forense Lamartine de Holanda. Disse tomar remédio controlado e confirmou que a morte de Jéssica estava escrita no livro "Relatos de um Esquizofrênico", de sua autoria.

Ainda durante o depoimento, disse estar arrependido da morte de Jéssica e dos crimes praticados em Garanhuns, mas não quis falar sobre os casos do Agreste. "Foi um momento de extrema fraqueza e me sinto na posição das pessoas que perderam seus entes queridos. Minha verdadeira prisão é minha consciência. Meus colegas de cela ficam agoniados quando estou sem remédio porque dizem que eu fico nervoso, agitado.  Mas eu não lembro disso. Essa depressão é por causa das vítimas", disse. 

Quando questionado sobre quantas pessoas tinha matado, foi categórico ao dizer que foram "só as três". Sobre a seita 'Cartel', disse que a criou há muito tempo, mas não havia atividade. "Cheguei a fazer doações para ONGs e umas três ou quatro famílias. Fazíamos doações de alimentos e denominamos de Cartel. Foi quando resolvi fazer esse trabalho com Bel e Bruna". E terminou o depoimento pedindo para rezar.

"Pai celeste, em nome do seu filho Jesus, obrigado pela oportunidade de falar a verdade. De estar aqui pagando por algo que fiz. Também gostaria de pedir consolo para as famílias que perderam seu parentes e também por Bel e por Bruna".

Isabel Cristina Pires da Silveira 

A primeira das mulheres a se pronunciar foi Isabel Pires e o depoimento durou aproximadamente duas horas. A acusada disse não ter participado da morte de Jéssica. "A conheci porque estava querendo um filho para criar e fiquei comovida com a menina (filha da vítima), que estava desnutrida", contou. "Entendo que ajudei na ocultação do cadáver, mas não estava na hora do esquartejamento. Eu subi, fiquei com a criança. Quem esquartejou foi só o Jorge". E detalhou a execução. "A Bruna pegou a faca das minhas mãos e entregou ao Jorge para que ele a matasse. Eu estava segurando a pequena. Fiquei muito nervosa. Ela disse que comeu a carne de Jéssica grelhada com arroz. A criança também comeu. Ela estava lá com a gente, estava fazendo parte da família".

No depoimento, justificou o silêncio diante dos crimes do marido. "Sou dependente emocional de Jorge. Fiquei calada com medo de que ele me deixasse", confessou. Isabel Pires confirmou que também se alimentou da carne de Jéssica, mas negou os salgados. "A parte da coxinha não era verdade. Eu a inventei porque estava com medo de apanhar na delegacia e queria ir para o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP) com eles", disse. Segundo ela, Bruna Silva, a outra acusada, ligava para as vítimas, mas Jorge Beltrão era o responsável pela seleção. "Havia uma outra pessoa a ser executada. Porque o Jorge tinha esse negocio de Cartel. Mas antes de Jéssica não teve morte alguma", salientou. "Os objetivos eram purificação, cuidar das pessoas, procurar aquelas que tinham problemas, não trabalhavam e não tinham objetivo", concluiu a ré.

Bruna Cristina de Oliveira da Silva

De acordo com a acusada, Jéssica foi escolhida por ser uma menina de rua, mas havia outra pessoa para ser levada. "Uma tal de Jandira, outra moradora de rua que tinha 20 anos. A gente ia sequestrar a criança, mas não tínhamos condições de pagar pelo registro. Por isso, decidimos pegar a Jéssica, que era mais nova e mais humilde. Era uma presa mais fácil". Além disso, Isabel a teria escolhido porque Bruna poderia se passar por ela. A criança acabou sendo registrada duas vezes. Ao detalhar a morte da adolescente, a ré também alegou não ter participado do esquartejamento.

"Por medo, por ameaça do meu pai, tive que fugir de casa e não dei qualquer noticia para a minha mãe durante sete anos. Eu fiquei apavorada. Nunca vi isso nem em filme. Jogos Mortais perdia. Minha Nossa Senhora, tremi tanto. Eu e Isabel limpamos tudo e pegamos os restos mortais. O Jorge cavou quatro buracos", explicou. A acusada, no entanto, diferente da outra ré, disse que a menina não comeu a carne da própria mãe. "Eu comi porque o Jorge disse que na Bíblia estava escrito que se matasse tinha que comer. Mas eu revirei a Bíblia toda e não achei isso", debochou.

Segundo ela, o comportamento do acusado mudou com o passar do tempo. "No começo de tudo, o Jorge parecia ser um homem normal, mas ao conviver com ele fui começando a ver as bipolaridades mentais", destacou. Ao ser questionada sobre a sanidade dele pela promotoria, não hesitou. "Normal ele não é".

O sarcasmo da acusada durante as resposta levou Eliana Gaia a pedir seriedade e a perguntar o porquê dela rir pelo canto da boca ao lembrar o caso. "Eram eles que me mandavam fazer as coisas. Eu só tinha que fazer. Crime de falsidade ideológica e participar de homicídio. Tudo ideia deles", tangenciou. Para a defesa, Bruna Silva disse que Jorge Beltrão era o líder do Cartel, embora, em depoimento, o acusado tenha dito que não existia líder na seita. "Hoje eu sou uma pessoa que tem que pagar pelo que fez, pelas coisas que eu encobri. Gostaria de pedir perdão a Seu Emanuel, pai de Jéssica, apesar de eu não conhecê-lo", concluiu.

O julgamento - Fase de debate

Defesa dos acusados

O advogado Rômulo Lyra leu trechos do livro "Relatos de um Esquizofrênico", de autoria de Jorge Beltrão, para embasar a defesa de Bruna Silva. "Ela tinha medo de morrer. Era uma vítima em potencial. Uma prisioneira dele", argumentou. Ainda de acordo com o advogado, a ré pediu o direito de cursar uma faculdade a distância enquanto cumpre pena na Colônia Penal Feminina de Buíque.

Tereza Joacy , que defende Jorge Beltrão, pediu a semi-imputabilidade do acusado para que ele seja tratado como doente e tenha a pena reduzida. Na argumentação, tentou fazer com que ele fosse levado para um manicômio judiciário e não presídio comum. "Ele precisa de tratamento", disse.

Por sua vez, Paulo Sales, contratado por Isabel Pires, apresentou um vídeo com a entrevista de um dos irmãos de Jorge. Na filmagem, ele diz que não tem casos de esquizofrenia na família. Conta que o acusado sempre foi naturalista e evitava comidas com carne, além de ser agressivo. Ainda acrescentou que a cliente era dependente de Jorge, abdicava da estima, dos sentimentos em prol dessa dependência. O advogado defendeu a tese de que Isabel foi alvo de uma coação irresistível. "Ela estava sob ameaça, sob domínio, sob tutela de Jorge". Ainda segundo Paulo Sales, Isabel teria pedido para ficar presa no lugar do acusado para que ele não sofresse.

Réplica

O Ministério Público salientou o comportamento agressivo de Jorge Beltrão, ainda na infância, detalhado pelo irmão do acusado. A promotora Eliana Gaia relatou que ele escrevia gibis mencionando o surgimento de uma nova raça. Seria uma criança normal, mas levada. "Ele não respeitava e fazia suas próprias leis. Só levanta essa loucura quando quer se beneficiar financeiramente ou processualmente", complementou citando o relato do familiar do réu. Sobre Isabel Pires, foi categória. "O que ela tem não é amor. É falta de respeito com ela mesma. Não foi para a delegacia porque não quis. Aceitou viver o triângulo amoroso porque era bom para ela. Se não fosse, não aceitava". "Bruna é assim. É a canibal feliz".

Fonte: Diário de Pernambuco

Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Após dez horas de julgamento, chegou ao fim o primeiro dia de audiência do trio acusado de matar, esquartejar, ocultar o cadáver e praticar canibalismo contra a adolescente Jéssica Camila, em Olinda, há seis anos. A filha da vítima, que estava em poder dos três, na época com dois anos, também teria comido a carne da própria mãe. Nesta quinta-feira (13), pela primeira vez, os acusados conhecidos como 'Canibais de Garanhuns' quebraram o silêncio e se pronunciaram sobre os crimes. O professor de educação física Jorge Beltrão, 53, confessou ter matado a vítima. Por sua vez, as outras acusadas, Isabel Pires, 53, e Bruna Silva, 24, admitiram auxiliar na ocultação do cadáver e apontaram o réu como líder do grupo. A sessão será retomada nesta sexta (14), às 9h.

O julgamento acontece no Fórum de Olinda e é presidido pela juíza Maria Segunda Gomes de Lima. O trio começou a ser investigado em 2012, após a descoberta de restos mortais na residência onde eles viviam, em Garanhuns, no Agreste - município onde ocorreram outros dois crimes pelos quais o trio ainda não foi julgado. Na época, à polícia, os três acusados disseram ter cometido os assassinatos porque faziam parte de uma seita conhecida como "Cartel". Ainda disseram que carne humana teria sido usada para a fabricação de empadas e coxinhas que eram vendidas na cidade. O trio responde por homicídio quadruplamente qualificado - por motivo fútil, com emprego de meio cruel, sem dar chance de defesa à vítima e para assegurar impunidade -, ocultação de cadáver, entre outros. 

Ainda nesta quinta, foram ouvidas as testemunhas e os réus. Terminada a fase de depoimentos, terão início, nesta sexta, os debates, que podem durar até nove horas. Ao fim dessa etapa, os jurados, em sala reservada, responderão aos questionamentos que definirão se os réus serão condenados ou absolvidos. Por último, a magistrada retorna ao salão do júri para ler a sentença.

A defesa insiste na tese de que eles apresentam distúrbios mentais, no entanto, o laudo psiquiátrico solicitado apresentou resultado contrário. De acordo com a promotora Eliana Gaia, os três são lúcidos. "Eles foram submetidos a exames psiquiátricos. Jorge é inteligente e manipulador e inventou sofrer de esquizofrenia paranoide (doença que causa alucinações de vozes e delírios de perseguição). Ele tem uma maldade incomum", declarou. Por sua vez, a defensora Tereza Joacy disse que Jorge estaria tomando medicações que o levavam a ter os sintomas da esquizofrenia. "Ele não tinha a doença, mas apresentava os sintomas causados pelas drogas", explicou. O advogado de defesa Paulo Sales se baseou na tese de exclusão de culpabilidade alegando que Isabel Pires teria praticado o  crime sob coação.

O júri popular atrai a atenção da sociedade, inclusive, de importantes nomes da criminologia do país. Atenta ao caso há dois anos, a pesquisadora e escritora Ilana Casoy esteve na primeira fila da audiência. Reconhecida internacionalmente pelas consultorias que presta para a polícia, ela já chegou a entrevistar o trio. A especialista confirmou que fará um documentário sobre o caso. Ela tem quatro livros publicados, entre eles: O Quinto Mandamento, que narra o assassinato do casal Richthofen, e A Prova é a Testemunha, sobre o caso Nardoni. Outro assento é ocupado pelo jurista José Paulo Cavalcanti Filho, biógrafo de Fernando Pessoa e membro da Comissão Nacional da Verdade.

O julgamento - Testemunhas

Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press
A primeira testemunha a depor, na manhã desta quinta-feira, foi o psiquiatra Lamartine de Holanda.
O especialista foi enfático ao dizer que Jorge Beltrão não sofre de transtorno psíquico. "A esquizofrenia é uma forma de rotular algo que não existe. Mesmo assim, das várias formas de se interpretar essa 'doença', nenhuma se aplica ao caso", declarou. A testemunha de acusação trabalhou como perito no caso. O laudo psiquiátrico, solicitado pela defesa, revelou que "os três são independentes e mentalmente sãos".

Em seguida, o delegado Paulo Berenguer, responsável pelo inquérito policial, prestou depoimento. De acordo com o investigador, os três confessaram o crime e cada um tinha uma responsabilidade na ação. "Isabel, por exemplo, cooptou Jéssica. Eles também admitiram o canibalismo. A carne era temperada normalmente pelas acusadas e servida junto com o resto da comida. A idéia era comer a carne purificada da vítima para que a purificação atingisse a todos", acrescentou. Segundo Berenger, Paloma, de Lagoa do Ouro, Maria, de Garanhuns, e Yolanda, de Olinda, seriam as próximas vitimas. "Eles ofereciam empregos de doméstica pagando um valor maior que o do mercado e atraíam as mulheres", esclareceu o delegado.

O julgamento - Acusados

Jorge Beltrão Negro Monte da Silveira

Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press
Por volta das 13h30, o primeiro acusado começou a prestar depoimento. Jorge Beltrão, apontado como mentor dos crimes, contou - de olhos fechados - os detalhes do esquartejamento, mas negou que a carne humana tivesse sido usada na produção de salgados vendidos em Garanhuns, no Agreste. Além disso, o réu alegou nunca ter sido consultado pelo psiquiatra forense Lamartine de Holanda. Disse tomar remédio controlado e confirmou que a morte de Jéssica estava escrita no livro "Relatos de um Esquizofrênico", de sua autoria. 

Ainda durante o depoimento, disse estar arrependido da morte de Jéssica e dos crimes praticados em Garanhuns, mas não quis falar sobre os casos do Agreste. "Foi um momento de extrema fraqueza e me sinto na posição das pessoas que perderam seus entes queridos. Minha verdadeira prisão é minha consciência. Meus colegas de cela ficam agoniados quando estou sem remédio porque dizem que eu fico nervoso, agitado.  Mas eu não lembro disso. Essa depressão é por causa das vítimas", disse.  

Quando questionado sobre quantas pessoas tinha matado, foi categórico ao dizer que foram "só as três". Sobre a seita 'Cartel', disse que a criou há muito tempo, mas não havia atividade. "Cheguei a fazer doações para ONGs e umas três ou quatro famílias. Fazíamos doações de alimentos e denominamos de Cartel. Foi quando resolvi fazer esse trabalho com Bel e Bruna". E terminou o depoimento pedindo para rezar.

"Pai celeste, em nome do seu filho Jesus, obrigado pela oportunidade de falar a verdade. De estar aqui pagando por algo que fiz. Também gostaria de pedir consolo para as famílias que perderam seu parentes e também por Bel e por Bruna".

Isabel Cristina Pires da Silveira

Foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press
A primeira das mulheres a se pronunciar foi Isabel Pires e o depoimento durou aproximadamente duas horas. A acusada disse não ter participado da morte de Jéssica. "A conheci porque estava querendo um filho para criar e fiquei comovida com a menina (filha da vítima), que estava desnutrida", contou. "Entendo que ajudei na ocultação do cadáver, mas não estava na hora do esquartejamento. Eu subi, fiquei com a criança. Quem esquartejou foi só o Jorge". E detalhou a execução. "A Bruna pegou a faca das minhas mãos e entregou ao Jorge para que ele a matasse. Eu estava segurando a pequena. Fiquei muito nervosa. Ela disse que comeu a carne de Jéssica grelhada com arroz. A criança também comeu. Ela estava lá com a gente, estava fazendo parte da família".


No depoimento, justificou o silêncio diante dos crimes do marido. "Sou dependente emocional de Jorge. Fiquei calada com medo de que ele me deixasse", confessou. Isabel Pires confirmou que também se alimentou da carne de Jéssica, mas negou os salgados. "A parte da coxinha não era verdade. Eu a inventei porque estava com medo de apanhar na delegacia e queria ir para o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP) com eles", disse. Segundo ela, Bruna Silva, a outra acusada, ligava para as vítimas, mas Jorge Beltrão era o responsável pela seleção. "Havia uma outra pessoa a ser executada. Porque o Jorge tinha esse negocio de Cartel. Mas antes de Jéssica não teve morte alguma", salientou. "Os objetivos eram purificação, cuidar das pessoas, procurar aquelas que tinham problemas, não trabalhavam e não tinham objetivo", concluiu a ré. 

Bruna Cristina de Oliveira da Silva

Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press
De acordo com a acusada, Jéssica foi escolhida por ser uma menina de rua, mas havia outra pessoa para ser levada. "Uma tal de Jandira, outra moradora de rua que tinha 20 anos. A gente ia sequestrar a criança, mas não tínhamos condições de pagar pelo registro. Por isso, decidimos pegar a Jéssica, que era mais nova e mais humilde. Era uma presa mais fácil". Além disso, Isabel a teria escolhido porque Bruna poderia se passar por ela. A criança acabou sendo registrada duas vezes. Ao detalhar a morte da adolescente, a ré também alegou não ter participado do esquartejamento.

"Por medo, por ameaça do meu pai, tive que fugir de casa e não dei qualquer noticia para a minha mãe durante sete anos. Eu fiquei apavorada. Nunca vi isso nem em filme. Jogos Mortais perdia. Minha Nossa Senhora, tremi tanto. Eu e Isabel limpamos tudo e pegamos os restos mortais. O Jorge cavou quatro buracos", explicou. A acusada, no entanto, diferente da outra ré, disse que a menina não comeu a carne da própria mãe. "Eu comi porque o Jorge disse que na Bíblia estava escrito que se matasse tinha que comer. Mas eu revirei a Bíblia toda e não achei isso", debochou.

Segundo ela, o comportamento do acusado mudou com o passar do tempo. "No começo de tudo, o Jorge parecia ser um homem normal, mas ao conviver com ele fui começando a ver as bipolaridades mentais", destacou. Ao ser questionada sobre a sanidade dele pela promotoria, não hesitou. "Normal ele não é".

O sarcasmo da acusada durante as resposta levou Eliana Gaia a pedir seriedade e a perguntar o porquê dela rir pelo canto da boca ao lembrar o caso. "Eram eles que me mandavam fazer as coisas. Eu só tinha que fazer. Crime de falsidade ideológica e participar de homicídio. Tudo ideia deles", tangenciou. Para a defesa, Bruna Silva disse que Jorge Beltrão era o líder do Cartel, embora, em depoimento, o acusado tenha dito que não existia líder na seita. "Hoje eu sou uma pessoa que tem que pagar pelo que fez, pelas coisas que eu encobri. Gostaria de pedir perdão a Seu Emanuel, pai de Jéssica, apesar de eu não conhecê-lo", concluiu.

Perfil dos acusados e das vítimas que confessaram ter matado

Os réus

Isabel Cristina Pires da Silveira

Dona de casa - alega sofrer de esquizofrenia
Casada com Jorge Beltrão há mais de 30 anos
Confessou à polícia a morte de oito pessoas
Cozinhava a carne para alimentar o trio e rechear salgados vendidos em Garanhuns
Está na Colônia Penal Feminina de Buíque

Jorge Beltrão Negromonte da Silveira

Faixa preta de karatê, professor de educação física
Confessou a execução de Jéssica e mais duas mulheres
Responsável por cortar a cabeça das vítimas, esquartejar os corpos e retirar as carnes
Escreveu o livro Revelações de um Esquizofrênico, com detalhes dos crimes
Está no Complexo Prisional do Curado

Bruna Cristina de Oliveira da Silva

Jéssica Camila
Foto: Alice Souza/DP/D.A Press
Na adolescência, conheceu os outros suspeitos e passou a viver com eles
Mantinha relacionamento amoroso com Jorge
Era responsável por levar as vítimas para a residência
Ajudava a imobilizar as mulheres e retirar as carnes dos corpos
Confessou a execução de Jéssica e mais duas mulheres
Está na Colônia Penal Feminina de Buíque

As vítimas oficiais

Olinda
- Jéssica Camila da Silva Pereira, 17 anos
Estava desaparecida desde 2008. Os restos mortais foram encontrados após quatro anos

Garanhuns

- Giselly Helena da Silva, 21 anos, conhecida como "Geisa dos Panfletos"
Estava desaparecida desde o dia 25 de fevereiro de 2012
- Alexandra da Silva Falcão, 20 anos
Estava desaparecida desde o dia 12 de março de 2012

Fonte: Diário de Pernambuco

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Foto: Paulo Paiva/ DP/ DA Press

O julgamento do trio acusado de matar, esquartejar, ocultar o cadáver e praticar canibalismo contra a adolescente Jéssica Camila em Olinda no ano de 2008, recomeçou por volta das 13h30 desta quinta-feira, após intervalo para o almoço. À tarde, os trabalhos começaram com a ouvida de Jorge Beltrão, apontado como mentor dos crimes. 

O acusado quebrou o silêncio durante o júri. Apesar de confessarem os crimes na fase policial, ele e as outras acusadas, Isabel Pires e Bruna Silva, não se pronunciaram nas audiências. De olhos fechados, Jorge confessou os assassinatos, mas negou que a carne humana tivesse sido utilizada na produção de salgados vendidos em Garanhuns. Em outro momento polêmico, o réu alegou nunca ter iso entrevistado pelo psiquiatra forense Lamartine de Holanda, que teria atestado sua sanidade mental. 

Ele começou o depoimento alegando que tomava remédio controlado e confirmando que a morte de Jéssica esta escrita no livro" Relatos de um Esquizofrênico", de sua autoria. Sem abrir os olhos, Jorge disse estar muito arrependido da morte de Jéssica e dos crimes praticados em Garanhuns, adiantando que não quer mais falar sobre os casos do Agreste.

"Foi um momento de extrema fraqueza e me sinto na posição das pessoas que perderam seus entes queridos. Minha verdadeira prisão é minha consciência. Mesmo em depressão, mesmo tomando remédio controlado até hoje. Meu colegas de cela ficam agoniados quando estou sem remédio porque dizem que eu fico nervoso, agitado. mas eu não lembro disso. Sei que fico sem dormir, com baixa estima e depressão profunda. E essa depressão é por causa das vítimas", disse.

Perguntado sobre quantas pessoas tinha matado , disse que "só as três" e disse que não tinha relacionamento com Jéssica, só amizade. "Foi uma extrema fraqueza", falou para justificar a morte da adolescente. "Confesso que errei ao usar o nome do meu irmão quando fiz o registro na Paraíba", acrescentou.
Confira especial sobre o caso
Questionado sobre a seita denominada Cartel, Jorge disse: "Essa seita foi algo criado por mim, por Bel e por Bruna. Há muito tempo, tinha falado da seita com amigos. Mas ficou só na vontade. Foi quando resolvi fazer esse trabalho com Bel e Bruna. Cheguei a fazer doações para ONGs e umas três ou quatro famílias. Fazíamos doações de alimentos e denominamos de Cartel".

O acusado terminou o depoimento pedindo para rezar: "Meritíssima , com todo respeito. Gostaria de fazer uma oração: Pai celestes, em nome do seu filho Jesus, obrigado pela oportunidade de falar a verdade. De estar aqui pagando por algo que fiz. Também gostaria de pedir consolo para as famílias que perderam seu parentes, e também por Bel e por Bruna. É tudo isso que quero pedir e agradecer. Obrigado meritíssima."

Em seguida, teve início a fase das perguntas do Ministério Público: "O senhor se lembrou de fazer oração no momento de matar as vitimas?", questionou a promotora Eliane Gaia. Ele disse que não, porque estava errado, mas agora estaria participado de cultos.

"O senhor me pareceu uma pessoa muito esquecida", ironizou a promotora, ao perguntar se Jéssica atendia às características da seita. Jorge respondeu, dizendo que a seita era para um mundo mais perfeito, com pessoas que produzissem trabalho da terra. "Não tinha um líder, nos combinávamos entre nós. Bruna sempre apoiava e às vezes vinha com requisitos, como por exemplo a explosão demográfica. Pessoas demais no mundo, pessoas que tem filhos por ter", acrescentou, dizendo que o significado de cartel é organização e, por isso escolheu esse nome para a seita.

Em seguida, a promotora leu um trecho do livro onde Jorge fala que viveu com as duas mulheres em total harmonia. Ele disse que comeu a carne das vitimas, mas que não era ele que preparava. "As pernas, fogo e terra. As mãos, água e ar. O principal elemento era Deus, a cabeça", falou, sendo interrompido pela promotora: ""Deus deve estar com uma raiva danada", disse Eliane. "Concordo com a senhora.Depois que o tempo passou, tomei consciência e voltei ao mundo real. Tomei consciência dos erros cometidos ", retrucou. 

Ao final, uma revelação: Jorge disse que a carne humana não teria sido utilizada na produção de salgados:"Na realidade, não houve coxinha. Isabel disse que confirmou ao delegado por medo de represália. Isso não existiu, simplesmente tomou forma, corpo. Ela falou por medo de ser torturada. Não houve colocação de carne humana em salgado algum", garantiu.

Perguntado sobre o golpe da jugular que ele costumava dar nas vitimas com faca, o acusado respondeu: "Segundo a Bíblia, não devemos usar o sangue, porque o sangue não é puro", justificou, acrescentando que a carne humana tem sabor de carne bovina e que era temperada, confirmando anda que a filha de Jéssica comeu a carne da própria mãe.

Em seguida, Jorge perguntou se poderia fazer uma pergunta à promotora. Após o concentimento, ele questionou: "A senhora acredita em Deus?". E ela respondeu que sim, mas que não acreditava no arrependimento do réu, que rebateu: "Quem tem que acreditar ..." "É Deus!", completou Gaia, encerrando sua participação.

Em seguida, a defensora Tereza Joacy Gomes começou suas perguntas questionando desde quando Jorge freqüentava um psiquiatra. Ele disse que Lamartine, o psiquiatra forense determinado pela justiça para fazer o laudo dele, não o teria entrevistado.

Fonte: Diário de Pernambuco